Quinta, 17 de Maio de 2012
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Saúde

Consulta On-Line

Programa desenvolvido pela Secretaria de Saúde de MG elimina gastos de deslocamento para cidades-polo em exames como eletrocardiograma

Texto: Eliana Fonseca | Fotos: Paulo Werner


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Enfermeira do Programa Saúde de Família (PSF), Márcia Rosa Lima Almeida, da pequena Buenópolis, cidade na região central de Minas com pouco mais de 9,5 mil habitantes, conta das diversas vezes que moradores tiveram de se deslocar por 110 km até a cidade-polo da região, no caso Curvelo. O motivo era a ausência, no município, de aparelhos para exames de eletrocardiograma. Os habitantes tinham de passar por um périplo que poderia se estender por meses no vai-e-vem de fazer o exame, esperar o laudo, repassar o resultado para o médico, aguardar o diagnóstico.


Tudo mudou há cerca de três anos, com a implantação, no município, do Programa Minas Telecárdio. Um aparelho de eletrocardiograma digital, impressora, computador, webcam e kit multimídia foram disponibilizados. O programa, rebatizado de Minas Saúde On-Line, passou por uma evolução e vai contar neste ano com mais 20 especialidades médicas. É a garantia de agilidade já que enfermeiros e médicos são treinados para re­a­lizar os exames de eletrocardiograma. Estes são enviados para médicos da Rede de Telessaúde do Programa – forma­dos por especialistas de hospitais das clínicas de universidades públicas, que, por meio de um plantão médico on-line, analisam os resultados, emitem laudos e podem discutir o caso com os médicos que estão acompanhando o paciente no interior. “Antes da implantação do Saúde On-Line, era uma luta porque o carro da prefeitura se deslocava três vezes por semana para Curvelo para esse transporte de pacientes. Algumas vezes, estava com a lotação completa e alguns tinham que aguardar a próxima viagem”, conta a enfermeira de Buenópolis. 


O chefe de Gestão Regional da Secretaria de Estado de Saúde e co­or­denador do programa, Fer­nando An­tônio Gomes Leles, afirma que, além de permitir maior integração en­­tre paciente e médico, o Minas Saú­­de On-Line também significa uma economia de até oito vezes se comparado ao que se gastava antes quando havia o deslocamento. “O mu­nicípio gastava, em média, 80 re­ais com esse tipo de paciente por causa do deslocamento, hospedagem, alimentação. Agora, o custo mé­dio das atividades de telessaúde fi­cam em torno de 10 reais e são custeadas pelo estado”, afirma. Os inves­timentos para o programa foram de 4 milhões no ano passado e cerca de 7 milhões estão previstos para este ano.


O Minas Saúde On-Line é uma parceria da Secretaria de Estado de Saúde com a Universidade Federal de Minas Gerais. Foi criado após estudo que apontou que os municípios menores não tinham condições de abrigar médicos especialistas. Por outro lado, especialistas que faziam atendimentos nas cidades-polo não davam conta da demanda dos municípios vizinhos. “Surgiu, então, a ideia de usar a internet para enviar a especialistas os exames cardiológicos. Mas era preciso, antes, criar uma estrutura que permitisse que os eletros fossem feitos na cidade do paciente”, observa Leles.


O projeto conta ainda com teleconsultorias para oncologia, dermatologia, neurologia, endocrinologia, nefrologia, infectologia, dentre outras. Na prática, se existir qualquer dúvida quanto ao diagnóstico do paciente feito pelo médico que o atende em seu município, esse profissional poderá participar de um fórum on-line com os especialistas da rede de telessaúde e tirar qualquer tipo de dúvida. “No caso dos eletrocardiogramas, o laudo pode ficar pronto no mesmo dia do exame, se for um caso de urgência, ou em até dois dias”, explica o coordenador do programa.


Primeiramente, foram escolhidas, segundo Leles, 82 cidades, principalmente de regiões como Norte, Jequitinhonha e Nordeste. Até o final deste ano, serão atendidos 340 municípios e a meta é que em 2010, o programa esteja implantado em 500 cidades. “Antes do Minas Saúde On-Line, em casos como os de oncologia, por exemplo, a população ficava angustiada esperando por vezes, algumas semanas, para o seu diagnóstico. Agora, além da agilidade, ela passa a confiar mais na unidade de saúde, aumentando seu vínculo com o profissional de saúde. Constatamos que depois do programa, houve aumento de cerca de 50% da população na procura pelo serviço de saúde de sua cidade”, diz o coordenador.


 
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