Quinta, 17 de Maio de 2012
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Itambé acaba de completar 60 anos e lança um desafio: ser a maior indústria de laticínios do país nos próximos cinco anos

Texto: Iracema Barreto | Fotos: Daniel de Cerqueira


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Maior indústria de laticínios com capital nacional, a Itambé chega aos 60 anos com uma meta ousada: alcançar, em 2014, o status de maior empresa de laticínios do Brasil controlada pelo sistema cooperativista. Difícil? Vejamos. Minas Gerais é o maior produtor brasileiro de laticínios de qualidade e deve grande parte dessa fama à Itambé, nome fantasia da Cooperativa Central de Pro­du­tores Rurais (CCPR). Desde que foi criada, em 1948 – quando um grupo de cooperativas de produtores rurais arrendou a União Central de Leite, até então subordinada à Secretaria de Estado da Agricultura –, a empresa não para de crescer. Na última década, registrou crescimento anual entre 8% e 10%. Em 2008, bateu o próprio recorde (15%) e foi responsável por 240 milhões de dólares dos 560 milhões exportados pelo Brasil em um momento em que as vendas externas estavam estimuladas pela alta dos preços no mercado internacional.


“A longevidade da Itambé se explica pelo fato de que ela soube se preparar para o futuro. Até 1995 o país importava leite, em 2005 começamos a exportar, mas desde 2000 já nos preparávamos para isso. A gente tinha essa visão de que o cenário iria mudar”, comemora Jac­ques Gontijo, presidente da gigantesca cooperativa mineira.


Os números da Itambé impressionam mesmo. A linha de produtos chega a 150 itens, envolvendo leite pasteurizado, em pó, UHT, condensado, com sabor, evaporado (linha gourmet), creme de leite, doce de leite, manteiga, requeijão e iogurtes, distribuídos para 30 mil clientes regulares em território nacional. As exportações já se ramificaram para 60 países. São cinco fábricas – quatro em Minas Gerais e uma em Goiás. Atua, a um só tempo, como compradora de insumos, processadora de matérias-primas e vendedora de produtos finais, emprega atualmente 3,3 mil funcionários. Além disso, são 9 mil produtores cooperados, três milhões de litros de leite captados por dia, perfazendo um total de 1,2 bilhão de litros de leite em 2008, o que rendeu faturamento de 2,040 bilhões de reais. “Temos muito trabalho pela frente para atingir essa meta (para 2014)”, admite Jacques Gontijo. “Mas vamos continuar essa trajetória de sucesso porque temos base para isso”, ressalta, acrescentando que a Itambé é uma “iniciativa pioneira de privatização” no Brasil.


Uma das explicações para o invejável desempenho, segundo o próprio Gontijo, é a parceria com o INDG, uma das maiores organizações de consultoria em gestão empresarial do país. O trabalho conjunto começou em 1999, na fábrica de Guanhães, interior do estado, onde foi identificado grande desperdício de matéria-prima durante o processo de envasamento do leite. “Foi um investimento de 5 mil reais que nos trouxe um retorno de 50 mil”, lembra o Executivo. “Até então, não tínhamos um método claro de gestão. A partir daí, estendemos o trabalho para outras áreas, buscando, por exemplo, um controle mais rigoroso das despesas, e estabelecemos metas para todos os níveis”, acrescenta.


Os ganhos financeiros são repartidos com os cooperados e com os funcionários. Em 2008, por exemplo, mais de 80% dos cooperados receberam bonificação. Contam ponto a fidelidade, assiduidade e a qualidade do leite produzido. “A gente tem que remunerar quem fornece o leite da melhor forma possível. O dono da Itambé é também usuário e isso faz a diferença”, ensina Jacques Gontijo.


Os funcionários da Itambé também são bonificados e ganham participação nos lucros e resultados da empresa. A partir deste ano, parte do faturamento será distribuída conforme as metas alcançadas, por área ou individualmente. É o sistema de meritocracia. Questionado se, por conta dos efeitos da crise internacional na economia doméstica, será possível manter os resultados positivos registrados nos últimos anos, o presidente da Itambé mostra cautela e diz que manter o faturamento alcançado no ano passado já será considerado bom.


 
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