Novas relações econômicas estão surgindo, depois da eclosão da crise financeira internacional que, como um grande terremoto, teve epicentro nos Estados Unidos, mas foi sentida com maior ou menor intensidade em todo o mundo. No Brasil, a não ser uma situação imponderável, os números sinalizam que aquele sombrio quadro pintado a partir do último trimestre de 2008, começa a receber pinceladas de tinta mais suaves. Mas, pelo fato de, até outubro passado, os números da economia brasileira serem muito positivos e com tendência de alta, qualquer comparação entre os resultados agora obtidos e feito com uma base alta e tende a se mostrar negativo.
Ainda é arriscado fazer prognósticos sobre quando a crise será superada. Se a economia mundial teve uma queda brusca na sua atividade e o seu retorno ao crescimento pode demorar mais do que o inicialmente esperado, a retomada, certamente, acontecerá dentro de um novo modelo. Sempre haverá espaço e recursos para o bom projeto, mas é preciso não ter dúvidas de que o mercado será mais seletivo e exigente, tornando a sustentabilidade, no seu conceito mais amplo, um diferencial para projetos e empresas.
Paradigmas estão sendo quebrados e, outros, forçosamente, surgirão. Uma lição parece pelo menos assimilada: não há crescimento indefinido e em ritmo crescente. Assim, novos métodos de gestão, tanto no setor público quanto no privado surgirão, como ferramentas de desenvolvimento. Uma gestão calcada na busca de resultados, mas sabendo que novas limitações, inclusive a impossibilidade de crescimento indefinido e constante.
Nos momentos de crise ou de dificuldade, afloram idéias criativas. O bom administrador não é aquele que tem à mão abundância de recursos. É aquele que sabe potencializar aquilo com que conta, trazendo para junto de si as forças interessadas no desenvolvimento. Promover não é tão-somente investir, mas, antes de qualquer coisa, saber como e onde aplicar os recursos para que eles rendam dividendos que retornem à população na forma de satisfação de suas necessidades. Os agentes que controlam um verdadeiro estado promotor deve ter a visão do macro, do longo prazo, pois, somente assim, os objetivos serão alcançados.
Neste quadro, mais do que nunca, o estado, além de assumir o seu principal papel, o de promotor, precisará, em alguns casos, se tornar investidor, não nas atividades de características privadas, mas melhorando a infraestrutura física e social da sociedade, com inversões, em parceria com o setor privado em obras onde a presença apenas deste inviabilizaria obras fundamentais ao desenvolvimento, como rodovias, ferrovias, energia, portos e aeroportos, mas também em ações que ampliem o acesso à saúde e à educação. Em relação à educação, também se faz necessária uma ação integrada com o setor privado, visando à formação de técnicos capacitados e aptos a atender às demandas do novo tempo.
É preciso ter a coragem de aproveitar este momento de incerteza para levar o país à frente, sem deixar que a onda de pessimismo sobreponha os sonhos maiores do desenvolvimento. É como se fosse dado um limão. Ao invés de reclamar do presente, por que não transformá-lo numa bela e refrescante limonada?